
Chapter 1 - A Porta Que Ele Abriu Com Desespero
Gabriel Curano corria desesperadamente pelo corredor escuro da cobertura. Seu coração disparava, a respiração estava descontrolada e seus pensamentos imaginavam o pior enquanto se aproximava do quarto das filhas gêmeas.
O empresário de trinta e cinco anos vestia uma camisa preta ajustada e calças sociais escuras. Seus passos ecoavam pelo corredor silencioso, enquanto ele tentava compreender os sons inesperados vindos do quarto infantil.
Ao alcançar a porta, Gabriel segurou a maçaneta com as duas mãos. Empurrou violentamente o corpo para a frente e abriu a porta com tanta força que ela bateu contra o limitador.
Entretanto, quando atravessou a entrada, ficou completamente paralisado. O que encontrou não se parecia com nenhuma das situações terríveis que havia imaginado durante aqueles segundos de desespero.
Dentro do quarto iluminado por uma luminária amarelada, suas duas filhas estavam seguras no berço de madeira clara. Elisa e Lívia gargalhavam alegremente, batendo palminhas sem parar.
Diante delas, Clara, a jovem babá de vinte e três anos, dançava descalça sobre um tapete macio. Usava um uniforme preto com avental branco, luvas amarelas e enormes fones prateados.
A babá girava o corpo, fazia caretas engraçadas e colocava a língua para fora. As duas meninas respondiam com gargalhadas cada vez mais intensas, completamente encantadas com aquela apresentação improvisada.
Clara não percebia que Gabriel estava na porta. Continuava dançando enquanto as luzes da cidade brilhavam através das grandes janelas de vidro, iluminando discretamente a cobertura luxuosa.
O empresário tentou dizer alguma coisa, mas nenhuma palavra saiu. Sua expressão mudou lentamente, e os músculos de seu corpo começaram a relaxar diante daquela cena inesperada.
As lágrimas surgiram primeiro nos olhos. Depois, escorreram pelas duas bochechas enquanto Gabriel observava as filhas rindo de uma maneira que não presenciava havia muito tempo.
A babá finalmente virou a cabeça e percebeu o homem parado na entrada. Seu sorriso desapareceu imediatamente. Assustada, retirou rapidamente os fones prateados usando as mãos cobertas pelas luvas amarelas.
Gabriel caminhou lentamente em sua direção, ainda chorando. Clara apertou os fones contra o peito e ficou imóvel, imaginando que seria repreendida por dançar durante o horário de trabalho.
"Mr. Curano...", murmurou, preocupada. Gabriel permaneceu em silêncio, incapaz de explicar por que aquela cena tão simples havia despertado uma emoção que ele escondia havia quase um ano.




