
Chapter 1 - A Empregada Que Não Conseguia Mais Manter os Olhos Abertos
Maia estava debruçada sobre a enorme mesa de mármore preto quando o chefe de segurança entrou na sala de reuniões. Seu rosto pálido repousava sobre um pano branco de limpeza, enquanto seu corpo permanecia imóvel de exaustão.
A jovem de vinte e três anos vestia um uniforme preto de mangas compridas, gola branca e avental impecavelmente amarrado. Entretanto, as olheiras roxas sob os dois olhos revelavam um cansaço assustador.
Do lado de fora das janelas panorâmicas, a cidade desaparecia lentamente sob uma névoa espessa. O silêncio da cobertura executiva era interrompido apenas pelo funcionamento discreto dos equipamentos de ventilação.
Antônio, o chefe de segurança de quarenta anos, aproximou-se preocupado. Sua cabeça completamente calva e o terno preto tornavam sua figura intimidadora, mas ele percebeu imediatamente que a funcionária precisava de ajuda.
Antes que pudesse encostar nela, Adrian Blackwood entrou apressadamente. O empresário de trinta e três anos vestia um paletó de veludo preto com detalhes dourados, colete escuro e camisa branca aberta no colarinho.
“Não toque nela.”
A ordem fez Antônio interromper o movimento. Adrian aproximou-se da mesa, observou a jovem adormecida e encontrou um relatório de turnos impresso entre os documentos administrativos.
Quando começou a examinar os horários, sua expressão mudou completamente. Os registros apresentavam uma sequência absurda de jornadas, com intervalos insuficientes e autorizações que não faziam sentido.
“Ela trabalhou quase trinta e seis horas.”
Antônio inclinou-se para examinar o documento. Apontou para o código registrado na autorização e explicou, com a voz carregada de preocupação: “Esses turnos foram aprovados com o código da Sra. Olivia.”
Naquele instante, Maia despertou assustada. Levantou a cabeça do pano branco, apoiou os braços trêmulos na mesa e tentou recuperar a postura profissional. “Sr. Blackwood, me desculpe... eu posso terminar.”
Adrian aproximou o relatório do campo de visão da jovem. Sua mandíbula ficou rígida quando perguntou: “A Olivia não esteve aqui a semana toda. Quem determinou isso?”
Maia ficou paralisada. Seus olhos cansados se arregalaram enquanto ela observava o corredor escuro além da porta. Uma lembrança assustadora começou a fazer sentido. Seus lábios tremeram antes de sussurrar: “Alguém precisava que eu estivesse dormindo.”



