
Chapter 1 - O Tahttp://cdn.smarttraffic.today/2026-11-06/829-2bf01e44-a1df-4c72-9cf7-052f19628e17.pngpa Que Paralisou o Prédio Inteiro
O tapa atingiu violentamente a bochecha esquerda de Mariana, fazendo sua cabeça virar para o lado. O estalo ecoou pelo saguão luxuoso, diante de dezenas de funcionários que permaneceram imóveis.
A jovem de vinte e quatro anos quase perdeu o equilíbrio. Apertou contra o peito uma pasta de documentos marrom-clara, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas provocadas pela dor.
Diante dela estava Verônica Albuquerque, uma gerente de quarenta e um anos conhecida pelo temperamento cruel. Seu blazer verde-esmeralda, com botões dourados, contrastava com a expressão agressiva.
“Eu mandei você ir pro banheiro, sua morta de fome!”, gritou Verônica, aproximando o rosto da funcionária. Seus brincos geométricos de ouro balançavam enquanto ela apontava ameaçadoramente.
Mariana levou uma das mãos à bochecha atingida. Sentia o rosto arder, mas permaneceu em pé, protegendo os documentos com o outro braço e tentando controlar o choro.
“Vim trabalhar, não pra você me humilhar.” A resposta surpreendeu os funcionários que observavam atrás das divisórias de vidro, acostumados a ver todos obedecerem silenciosamente à gerente.
Verônica começou a rir. Aproximou-se do balcão de café, segurou uma xícara de cerâmica cheia de café escuro e quente e voltou a encarar a jovem com desprezo.
“Ha, ha! Você nasceu pra limpar os sapatos dos ricos...”, debochou, apontando para Mariana. Antes que alguém pudesse reagir, lançou todo o conteúdo da xícara contra o peito dela.
O líquido atingiu violentamente sua blusa de seda marfim, espalhando manchas escuras pelo tecido. Algumas gotas escorreram pelo queixo, pescoço e peito até cair sobre o mármore negro.
Mariana recuou, assustada com o calor. Seus lábios tremeram, mas ela continuou segurando a pasta contra o corpo, recusando-se a abandonar os documentos que havia levado naquela manhã.
Verônica aproximou-se novamente, observando a roupa completamente manchada. Um sorriso triunfante surgiu em seu rosto quando pronunciou outra ordem humilhante: “E agora, me limpa.”
Naquele instante, um sinal metálico interrompeu o silêncio. As portas do elevador executivo, emolduradas em dourado, começaram a se abrir atrás da gerente. Seu sorriso desapareceu imediatamente.
Um homem alto, de cabelos e barba grisalhos, saiu usando um terno cinza-chumbo e gravata bordô. Era Augusto Valença, presidente do grupo empresarial. Sem pronunciar uma palavra, caminhou pelo saguão, fixando o olhar naquela cena.




